sábado, 6 de março de 2010

Educação e Instrução

Tendo em vista o texto de Huberto Rohden (“Educação do homem integral”), clareou-se em minha mente o que é de responsabilidade da instrução e aquilo que cabe à educação, uma vez que o autor deixa nítido que: “A instrução tem por fim fornecer ao homem o conhecimento e uso dos objetos necessários para sua vida profissional. A educação”, ele diz, “tem por fim despertar e desenvolver no homem os valores da natureza humana”.

Pois bem, como a instrução permite que o ser humano atue profissionalmente, ela abrange o mundo material, físico e tangível, sendo natural do intelecto humano e, portanto, parte de seu ego. Já a educação, por se estruturar sobre princípios intrínsecos do homem, ou seja, seus valores, lapida o espírito. Rohden afirma, assim, que um homem pode ser extremamente inteligente, mas muito pouco educado. De outra forma, as habilidades mentais para atuação no mundo material não se associam ao que o espírito é realmente, o quanto de sua natureza divina está explicitada.

Está é a explicação para a frase de Einstein: “Do mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores, porque estes vêm de outra região”. Ao caminharmos na esfera da mente egóica do homem, apenas trilharemos a jornada da matéria, sem que alcancemos a esfera do espírito humano.

Porém, como conseguimos chegar nessa esfera espiritual? Rohden, assim como outros pensadores espiritualistas, diz-nos que o caminho dessa jornada está em nós, em nossa própria comunhão com o Pai, nos diferentes meios de experiências que temos, entre elas a meditação, a oração e, principalmente, a caridade, tal qual Paulo de Tarso ensina, “Ainda quando eu tivesse a linguagem dos anjos; quando eu tivesse o dom de profecia, e penetrasse todos os mistérios; quando eu tivesse toda fé possível até transportar as montanhas, se não tivesse caridade, eu nada seria”. O nosso real acesso ao Pai, portanto, é a caridade, o amor para com o próximo e para conosco mesmo, que deve permear todas as nossas atitudes, tais como a meditação e a oração, pois sem amor, trabalharíamos o ego, o intelecto, a instrução, não atingindo, assim, o mundo do espírito.

A educação, por sua vez, consegue divinizar o espírito, visto que eduz (“tira para fora”) aquilo que o ser humano é potencialmente (essência divina), por meio da caridade, da vivência harmônica entre o homem e todos os reinos. Jesus diz: “Vós sois deuses”. Não que somos como o Pai, mas O temos internamente, em potencial, e o papel da educação é justamente fazer com que o ser humano aprenda a manifestar a sua essência divina.

Assim, o ego é intelectualizável, instruindo-se com o mundo físico, mas não necessariamente torna o espírito melhor. Por outro lado, o espírito somente consegue se lapidar com a educação, ou seja, com a vivência com o Pai, que é, naturalmente, a relação homem-homem, homem-animal e homem-vegetal vivida com amor, com caridade. E isto, de fato, torna o ser humano melhor.

Fontes:
Huberto Rohden, “Educação do homem integral”
Allan Kardec, “O evangelho segundo o espiritismo” (Cap. XV)

Nenhum comentário:

Postar um comentário