quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dama da noite

Mergulhando num mar escuro, lodoso e fétido
Nasce algo maravilhoso
Cujo poder retira do oxigênio escasso
E brilha aos raríssemos fios solares

É ela, a dama da noite, de vestido branco e pérolas
Na simplicidade de uma mulher
Na beleza de uma flor
A orar e rezar, amar e cultivar
Seja hoje, ontem ou amanhã...
Será sempre ela, a dama da noite, a estar aqui
Comigo

Chamados do chamado

Bebe-se do vinho o apreciador das uvas raras
Come-se dos mariscos o gozador dos mares
Envolve-se nas sintonias o sensível músico
Esforça-se nas guerras os fiéis soldados patriotas

Morre-se, enfim, o homem inútil, quando a vida lhe chama, clemente, ao amor ofertado...

O tempo das coisas

Em nosso cotidiano, muito se atenta ao tempo e o ser humano parece domesticado a obedecê-lo para realizar as suas atividades. Porém, se refletirmos mais profundamente, veremos que o tempo é um adicional em nossa vida, ou seja, uma ferramenta a mais na condição saudável de se viver e não um “sugador” de energias.
Ao concordarmos com o pensamento de que o tempo é uma dimensão, assim como a horizontalidade, a verticalidade e a profundidade, temos que o tempo é existente em nosso mundo e por isso atuante em nós, independente e constantemente. Todavia, ao mesmo tempo, essa idéia nos liberta da existência do tempo em nós mesmos, como seres humanos, pois que não somos também o tempo; ele não está em nós; não somos seres temporais, justamente porque o mesmo tem existência própria, é uma dimensão. E desta forma, há influência, e não similitude, do tempo enquanto estivermos em seu “interior”, com mais intensidade quanto maior forem as suas interdigitações conosco homens.
Por sua vez, grandes mestres nos ensinam sobre a atemporalidade. Muitos homens tiveram e ainda tem experiências atemporais, nas quais a dimensão tempo parece ter sido ultrapassada por sintonias mentais/espirituais maiores. Estes indivíduos, porém, mesmo com essa bagagem extra-tempo, continuam a viver sobre a influência da dimensão tempo, embora de um modo mais sutil, pois que ainda são seres humanos (senão o que seriam?). E é aqui que apresentamos algo muito interessante.
O contato com a atemporalidade na dimensão tempo parece clarear o ser humano a observar o tempo das coisas, o qual não parece estar cronometrado ou quantizado, mas sim percebido. É como se o homem alcançasse sintonia com a harmonia da natureza dos fatos que o cercam, que possuem uma “duração” própria, infindável até que se acabe, sentida e observada pelo “homem atemporalizado” no plano temporal. Não mais pressa ou atrasos, ansiedade ou passividade; há somente harmonia, sintonia com o tempo das coisas, nas “etapas” de início, prolongamento e extinção dos fatos. Neste sentido, as energias humanas não são mais “roubadas pelo tempo”; ao contrário, a própria sintonia harmônica com o tempo das coisas permite-nos absorver as boas energias, e repulsar as más, criadas pelos fatos que nos cercam.
Conseguindo, pois, a experiência atemporal, temos condições de enxergar além da dimensão tempo que nos permeia, inevitavelmente, fato que possibilita mais facilmente a leitura do tempo das coisas. Uma vez nos harmonizando com os fatos que nos cercam, paramos de gastar desnecessariamente nossa energia e aprendemos a selecionar vibrações que nos fazem bem daquelas que nos fazem mal.