domingo, 25 de abril de 2010

Metamorfose

No fundo dos meus olhos, na clareia do olhar
Há uma faísca, a lampejar e lampejar

Em minha voz há sons roucos, graves e agudos
Há nela também dor, sofrimento e temor

Em meu peito, há lúgubre ar, de inspirar remoto
De sofrível angústia

Em meu coração, há uma dor sangrenta, manchada e lodosa
Há nele também ódio, rancor e amargura

Meu Senhor, Pai todo Misericordioso, abraça-me e refugia-me em Seus braços
Para que a fera que em mim se instalou não venha a atacar
Mas sim, com Seu Amor, domesticá-la e transformá-la
No mais Belo cavalo de Seu Reino, que ao Senhor servirá, pelo seu livre desejo.

Sozinho estou

Olho-me, sinto-me, toco-me
Aonde estão os outros?

Recordo, imagino, anseio
Peço, grito, procuro
Ando, corro, canso-me
Aonde estão os outros?

Sozinho me vejo, sem ninguém
Aonde estão os outros?

Pobre alma, porque se inquieta?
De que adiantou avançar no tempo
Conquistar terras, desbravar mares?
Para que os edifícios, as glórias e as belezas
Se sua alma ao redor nada tem?
E quando se volta a si mesma, percebe-se no nada em que está?

Antes de enxergar os outros, enxergue-se
Antes de julgar, ame
Antes das palavras, procure os sentimentos
Antes das ações, procure as motivações
E verá que, se ainda estiver sozinha, é porque os outros não querem lhe ver
Perdidos que estão, como você esteve.

Reverência

Acaba de nascer; é maravilhoso!
Com sua face rosada...
Com sua mão pequena...
Com seus olhos quase fechados...

Vem se aproximando; é lindo!
Preenchendo...
Amparando...
Completando...

Vem aí aquele ser;
Que modificará...
Que transformará...
Que iluminará...

Ai vem ele:

-Abramos alas ao Ser Humano!

domingo, 4 de abril de 2010

A Religiosidade do Espiritismo (editada)

Por fim, falaremos sobre a Religião do Espiritismo, outra vertente da Doutrina dos Espíritos e que completa o seu triângulo (Ciência, Filosofia e Religião).
O termo religião é derivado do termo latim religio, que segundo Lactâncio (escritor e professor de retórica do Império Romano) deriva do termo religare. Assumindo-se tal origem etimológica, a Religião é o religar-se com Deus, ou seja, o caminho que leva o filho ao seu Pai.

Sabemos, por sua vez, que o Espiritismo é uma reapresentação da Doutrina de Jesus, portanto a sua religiosidade é pautada nos princípios morais do Ensino do Cristo. Kardec trabalha em O Evangelho Segundo o Espiritismo justamente os principais ensinos que Jesus legou para a Humanidade, completando ensinamentos com mensagens de espíritos e principalmente esclarecendo partes alegóricas e de difícil interpretação. Nesta obra está a base da religião espírita e a continuação da religiosidade Cristã.

Todavia, podem nos ficar questões: Como nos religaremos ao Pai? Qual será o caminho para o encontro com Aquele que me Criou? Para esses questionamentos, os Espíritos superiores, em O Livro dos Espíritos retomam Jesus: “Desejai para os outros o que quereríeis para vós mesmos”. Logo em seguida, Kardec muito sabiamente nos diz: “O sublime da religião cristã tem sido de tomar o direito pessoal por base do direito do próximo”. Em síntese, o nosso religar perpassa pelo bem do próximo, como pré-requisito para Deus. E o Espiritismo traz aos seus seguidores totais condições para essa difícil caminhada, uma vez que oferta fundamentação para a formação de caráter humano, mediante o entendimento verdadeiro dos Ensinamentos de Jesus.

Desta forma, a Religião do Espiritismo não deve ser entendida de acordo com o senso comum sobre as religiões. Ela vai além justamente por convidar o ser humano ao seu reajuste consigo mesmo. Trata-se de uma Lei sobre a posição do ser humano em relação ao mundo que o rodeia, ou seja, é a própria natureza do espírito que o impede de avançar, sendo um efeito natural de sua inferioridade. Por isso, a Religião do Espiritismo é o convite à auto-renovação, por meio das máximas de Jesus: “Conheça a Verdade (quem realmente somos) e a Verdade o libertará” e “Amareis o vosso próximo como a vós mesmos”, sem necessidade de convenções e de dogmas.

A questão apresenta-se muito bem trabalhada na Revista Espírita de 1868, quando Kardec discorda do uso do termo Religião quando associada ao Espiritismo, não porque a Doutrina Espírita não apresenta a sua religiosidade, mas sim pelo mal uso pela sociedade daquele termo. Kardec afirma: "no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos ufanamos disso, porque ele é a doutrina que funda os laços de fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as próprias leis da Natureza". Todavia, alerta: "Porque só temos uma palavra para exprimir duas idéias diferentes e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da idéia de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, coisa que o Espiritismo não tem."

Podemos associar, assim, a Religião do Espiritismo à Religiosidade do Espiritismo, com o único objetivo de segregar idéias, que na origem abordam o mesmo campo, mas pelo tempo se divergiram.

Fontes:
Wikipédia (online)
O Livro dos Espíritos (questão 876)
A Gênese (Cap. II- item 19)
O Evangelho Segundo o Espiritismo (Introdução-item I)
Revista Espírita- 1868 "É o espiritismo uma religião?"

Sem Amor

A música sem Amor é barulho;
A escultura sem Amor é molde;
O tecido sem Amor é remendo;
A poesia sem Amor é lisonja;
O texto sem Amor é rabisco;
O amor sem Amor é paixão;
O sorriso sem Amor é falsidade;
O pensar sem Amor é devaneio;
A vida, enfim, sem Amor é estéril;

Tudo o que eu fizer, senão com Amor e por Amor, nada mais será do que um ato sem sentido...