domingo, 25 de abril de 2010

Sozinho estou

Olho-me, sinto-me, toco-me
Aonde estão os outros?

Recordo, imagino, anseio
Peço, grito, procuro
Ando, corro, canso-me
Aonde estão os outros?

Sozinho me vejo, sem ninguém
Aonde estão os outros?

Pobre alma, porque se inquieta?
De que adiantou avançar no tempo
Conquistar terras, desbravar mares?
Para que os edifícios, as glórias e as belezas
Se sua alma ao redor nada tem?
E quando se volta a si mesma, percebe-se no nada em que está?

Antes de enxergar os outros, enxergue-se
Antes de julgar, ame
Antes das palavras, procure os sentimentos
Antes das ações, procure as motivações
E verá que, se ainda estiver sozinha, é porque os outros não querem lhe ver
Perdidos que estão, como você esteve.

Um comentário:

  1. quem disse que estás sozinho?
    e de que se faz a amizade então?
    choras, anseias e sofres... mas porque sorver amargo cálice se podes transformá-lo em luz para ti, em doçura para os outros?
    Lembro-me de certa feita quando eu estava só e triste, a não muito tempo, aliás a bem pouco tempo, amigo meu ter-me dito,aparecendo-me de branco, barba tão branca quanto a roupa: menino, e teus orfãozinhos? e os orfãozinhos do mundo q te esperam?
    E agora eu, que te amo fraternalmente digo: e os nossos orfaozinhos do mundo? mãos à obra, meu pequeno, vamos que não estamos sós...

    Lembro-me de Emmanuel que diz:
    A medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio
    dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te
    constringe a alma sensível.
    Onde se encontram os que sorriram contigo no parque primaveril da
    primeira mocidade? Onde pousam os corações que te buscavam o
    aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te
    partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras ri dentes do início?
    Certo, ficaram...
    Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das
    borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contacto da
    menor chama de luz que se lhes descortine à frente.
    Em torno de ti, a claridade.. mas também o silêncio...
    Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não
    seres compreendido...
    Tua voz grita sem eco e o teu anseio se alonga em vão.
    Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a
    grande distância e que coração faminto de calor do vale se
    abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura?
    Choras, indagas e sofres...
    Contudo, que espécie de renascimento não será
    doloroso?
    A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e
    a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida.
    A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza.
    A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que
    alimenta o mundo inteiro brilha sozinho.
    Não te canses de aprender a ciência da elevação.
    Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros
    feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois
    malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça.
    Recorda-te dele e segue...
    Não relaciones os bens que já. espalhaste.
    Confia no Infinito Bem que te aguarda.
    Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e
    engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que
    exerceu para todas as
    criaturas, o Divino Amigo dos Homens não somente viveu, lutou e
    sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado. (Fonte Viva)

    P.S. não sei se foi coincidência, mas acho agora sei porque enquanto descansava era o barulho de teclado que ouvia...(e ainda me perguntei: quem está mechendo no computador enquanto durmo? ^^)


    Muita paz

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