segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Suicídio

Vá, corpo inerte, morrendo aos poucos
Porque na minha naturalidade, não o suporto mais
Vá para longe de mim, mente insensata
Assim como meu coração falido
Não os suporto mais...
Para longe almas corruptas, que me assaltam frequentemente
Assim como as pessoas que me odeiam, e que não as suporto
Então por que não a morte, que me isolaria de tudo isso?

Mas, lembrando-me de mim mesmo,
Eu já morro todos os dias
Fecho meus olhos e os abro, a cada momento que desejo
Morro quando quero e nasço quando quero
Basta desconcentrar e concentrar, dormir e acordar, abrir e fechar
O que seria, então, esse ato chamado suicídio?

Ah!, meu caro, será apenas a mudança do cenário
Porque não mais estará entre nós, mas continuará vivo, em partes
E morto, em partes
Basta querer e não querer
Pensar e não pensar
Sentir e não sentir

Viva e morra, no cotidiano
Inspire e expire; coma e defeque; transpire e seque; fale e se cale
Corra e descanse; pule e sente; mergulhe e respire; ensine e aprenda
Esta é a vida e é a morte; esta é a dinâmica
Independente do desejo de querer acabar com ela
Você não tem este poder, Graças a Deus!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Saudade de você

Ah! que saudade que tenho
De lhe ter aos braços
Envolver-me em você

Ah! que saudade que estou
De pentear seus cabelos
Fios a desenrolar em minhas mãos

Ah! que saudade que sinto
De olhar em seus olhos
E em seu fundo sentir algo especial

Ah! que saudade que me atinge
De seu toque em mim
E do meu toque em você

Ah! que saudade que me inunda
De conversar e falar
Despreocupado com as horas

Ah! que saudade tenho hoje
Que já tive ontem
E que terei amanhã

Unicidade e diversidade

Uma questão que há certo tempo me faz pensar e refletir é especificamente esta: Se o ser humano apresenta tanta variação entre si, seja em vertentes externas, como cultura, aspectos físicos, linguagem, entre outras, seja em âmbitos internos, tais como mente, emoções e desejos, por que há, dentro do ensinamento cristão, ou melhor, de Jesus Cristo, linhas únicas e diretas que indicam a um caminho único ao ser que deseja ser feliz?

Aparentemente, essa questão é fácil de ser respondida, tendo em vista a origem comum de todo ser humano. Neste sentido, cada indivíduo, independentemente de suas características internas e externas, proveio da Natureza divina, e portanto, em essência é igual a todas as demais criaturas, e por isso a mensagem serve a todos. Todavia, ao aprofundarmos o raciocínio, perceberemos que há aqui um ponto chave a todos nós e que pode gerar dúvidas e distúrbios interpretativos.
Cada indivíduo apresenta um microcosmo único, seu, e por isso, tem impulsos e melhorias a realizar diferentes, ou melhor, únicas, uma vez que um microcosmo jamais é igual a outro, pois que de outro modo, Deus seria repetitivo em sua criação. Imaginemos, assim, bilhões de microcosmos distintos, pulsando em diferentes frequências e exigindo processos mil. Será que uma única mensagem pode abranger o momento de cada um desses seres, exatamente naquilo que lhes está impedindo o desenvolvimento?

A resposta é positiva. Mas a sua consequência nos leva a crer que cada microcosmo irá se desenvolver em seu próprio caminho, percorrendo a sua própria estrutura de ser, obedecendo, porém, a um mesmo princípio, a uma mesma mensagem. Ou seja, cada criatura divina jamais sofrerá dissolução de sua estrutura íntima por ser guiada pela mesma linha que todas as outras criaturas também serão. Assim, a mensagem do Cristo, em hipótese alguma, torna-nos indiferenciados; pelo contrário, ela fundamenta, molda e dá suporte ao desenvolvimento de nossas próprias características, existentes unicamente em nosso complexo foro individualizado. Caso assim não o fosse, o nosso futuro seria idêntico ao de todas as demais criaturas de caminho evolutivo, com o mesmo “cume” espiritual, o que logicamente contradiz a Grandeza Divina.

Por fim, em resumo, cada ser humano cresce de acordo com si mesmo e se tornará, em seus sucessivos períodos futuros, um ser cada vez mais individualizado, ou seja, mais único. Porém, para que isso ocorra, é essencial a assimilação de princípios gerais, válidos a todos, pois que são o fundamento de toda e qualquer obra individual e coletiva (assumindo-se que a obra coletiva é realizada por indivíduos dispostos a unir ideais).

sábado, 8 de janeiro de 2011

Tempo

Passam-se os segundos
Imensuráveis eras vivi na mente
Eram os minutos
Percorri o infinito imaginando
Entram e saem as horas
Vivi e morri inumeráveis vezes

A luz apaga e acende
Os passáros falam e se calam
A Terra circunda-se, translada
A pedra se forma e logo se torna pó
A aguá brota e imensura, após de se eterizar

Jorram-se as glórias, as venturas
Vangloriam-se os vitoriosos
Decantados ficam os derrotados
A guerra começada já retorna
O crime se vai, a Paz surge e morre
A cidade cresce, desenvolve
E ao decrépito se reduz

Vai com as asas voar, porém,
Na imensidão do desejo de ser livre
Percorra as letras, as folhas, as artes
Adentre as tintas, os cheiros, os cantos
Torne-se jovem, criança, idoso, adulto e retorne depois
A ser sempre aquilo que sente
Aqui e lá, o tempo é inexistente...

Coração

Caro coração,
perdoe-me por negligenciar-lhe
por tanto tempo

Agora que deseja falar
é me difícil ouvir
mesmo que falesse bem alto
estava surdo

Hoje quero ouvir
quero abrir as suas portas
deixar penetrar o Sol
sacudir as sandálias

E, meu caro, sei que
apesar de muito sofrer
não há dor

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Silêncio (minha citação)

"Conheci o bem e o mal
o pecado e a virtude, o certo e o errado,
julguei e fui julgado,
passei pelo nascimento e pela morte,
pela alegria e pelo sofrimento, pelo céu e pelo inferno,
e no final reconheci
que estou em tudo
e que tudo vive em mim"

Hazrat Inayat Khan