Muitas pessoas crêem que o Espiritismo é apenas uma religião, algo como tantas outras manifestações do homem para com suas crenças e costumes. E está visão ganha peso com o apoio de grande parte do meio acadêmico, uma vez que a academia científica tem papel importantíssimo na formação do idealismo da sociedade ocidental.
Todavia, nós espíritas, temos a absoluta certeza de que a nossa Doutrina apresenta, como uma de suas vertentes, a ciência. Allan Kardec, exemplar figura humana, na codificação das obras básicas do espiritismo, nos diz em O Evangelho Segundo o Espiritismo:
“O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual, e suas relações com o mundo corporal”. Em A Gênese, há a complementação: “Como meio de elaboração, o Espiritismo.... aplica o método experimental. Fatos de uma ordem nova se apresentam e não podem se explicar pelas leis conhecidas: observa-os, compara-os, analisa-os, e, dos efeitos remontando às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz suas conseqüências e procura as suas aplicações úteis.”
Todos os fenômenos espíritas disponíveis ao estudo na época de Kardec foram analisados e estudados a partir de princípios científicos, que, em essência, são divinos. A Ciência atual tornou-se cética e circunscrita em razão de sua má utilização por parte de seus adeptos, todavia, este fator é incapaz de alterar a sua natureza sagrada. Assim sendo, por que não o Espiritismo ser cientifico, uma vez que algumas manifestações de espíritos não tinham explicações na época de Kardec, e hoje têm, e tantas outras atuais que são desconhecidas? O que impede a razão humana de investigar aquilo que lhe circunda, visto que seu desejo é de ampliar o seu conhecimento e, conseqüentemente, tornar a sociedade humana mais justa e com mais qualidade de vida material e espiritual?
Allan Kardec, como exemplo de homem racional, investigou tais manifestações pelo método científico, compilando grande parte de seus conhecimentos no livro O Livro dos Médiuns. É nesse texto que estão as bases solidificadas da ciência espírita, destrinchada meticulosamente, desde o seu Método, de seu Sistema, até mesmo na identificação de possíveis embustes e fraudes medianímicas. Em síntese, é o guia do Espiritismo experimental, como está claro em seu segundo nome: Guia dos Médiuns e dos Evocadores.
Todavia, não podemos crer na finitude da nossa Doutrina, pensando que Kardec tudo fez e nós nada temos a fazer. Tal crença retira de nós a responsabilidade de atuarmos para o desenvolvimento do Espiritismo, ou seja, de aprofundarmos os aspectos da ciência espírita e, creio eu, de a expandirmos. De nossa parte, valem os estudos e a pesquisa cientifica baseados nos idéias do espiritismo. Se assim procedermos, com segurança conseguiremos trazer ao mundo material mais conhecimentos espirituais de planos mais sutis, porque, como diz Jesus, “De mim mesmo, eu nada posso fazer; é o Pai em mim que faz as obras”, ou seja, nosso trabalho é de servir algo maior e não os nossos interesses limitados.
Fontes:
- O livro dos médiuns
- O livro dos espíritos (Introdução; Conclusão)
- A Gênese (Caracteres da revelação espírita)
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