Ao observarmos todas as nossas atitudes e sentimentos maus, ou seja, aqueles que causam prejuízo tanto para quem os recebe quanto a nós mesmos, perceberemos que eles não possuem um fundamento lógico que os sustente. Embora sejam racionalmente explicados, com a razão analisando-os, eles não possuem embasamento racional; são ilógicos.
Quando sentimos ódio, por exemplo, que é também um sentimento de extrema repulsa perante alguém, alimentamos apenas a dissonância entre nós e determinada pessoa, porém não resolvemos aquilo que causa o ódio. Manteremos o ódio até que permitamos que a razão evidencie a sua ineficácia. De outra maneira, ter ódio de alguém não auxilia a convivência, apenas a prejudica, e se nós alimentamos tal sentimento, estamos impulsionando o nosso próprio mal estar, o que é irracional, uma vez que o indivíduo deveria ser é o primeiro a se preocupar consigo mesmo.
Por sua vez, o mesmo ocorre com o ciúme, que também é a poda do direito de liberdade do outro. Este sentimento atrofia as relações pessoais e inibe as potencialidades de determinada pessoa, em decorrência de um controle exagerado de seu parceiro. Como nos foi dado apenas o controle sobre nós mesmos, em virtude da individualidade, não temos o direito de interferir na liberdade alheia. A intervenção é irracional, sem lógica divina, já que para “controlarmos de modo salutar” alguém, teríamos que conhecer toda a história do indivíduo, seus pensamentos, sentimentos e conhecimentos. A razão indica que tais informações são acessíveis apenas a própria pessoa que as possui.
Ao utilizarmos a razão, então, perceberemos que a lógica divina atua em todas as relações pessoais, de modo universal, uma vez que incita ao nosso bem sempre. Ao nos distanciarmos da lógica universal, sentindo e agindo no mal, estamos na verdade ferindo outros seres, além de nós mesmos, porque não temos a chance de alterarmos as leis que possibilitam a Alegria e a Felicidade Humana, já que são divinas e nós, por sua vez, filhos da divindade.
Por fim, esse é o motivo pelo qual se denomina “seres primitivos” e “seres evoluídos”. Os primeiros, por não terem a razão desenvolvida, agem de modo semelhante aos animais selvagens, desprovidos da mesma e antecessores na escala evolutiva do Homem. Isso significa que esses espíritos estão no início do processo ascensional, aprimorando a sua primeira conquista: a razão. O segundo grupo tem a razão desenvolvida, o que significa sobreposição do livre-arbítrio com a lógica divina, fato que evidencia o seu estágio relativamente avançado nessa mesma escala.
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