sábado, 21 de novembro de 2009

“Renascer de água e espírito”

“Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino dos Céus.
“Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino dos Céus. O Espírito sopra onde quer e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde vai.”
(João, III: 1-12)

Com estas frases, Jesus ensina a Nicodemos, então doutor da lei em Israel, da necessidade de uma nova vida, em outra circunstância, com novos valores e preceitos. E Allan Kardec, em o “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, explicita a lógica existente na oportunidade dada por nosso Pai a todos nós: a chance de reencarnarmos. No capítulo IV de sua obra, o codificador apresenta argumentos, existentes no próprio Evangelho (Bíblia), que ratificam a consciência, na época de Jesus, de poucos sobre a reencarnação, ainda não conhecida por Nicodemos. É interessante evidenciar a clareza com que tais ensinamentos tratam dessa real necessidade da alma humana, que, por interesses diminutos, não foi/é aceita por muitas doutrinas religiosas.

Como um homem, de natureza intelectual mediana, de moral questionável e ética ainda em desenvolvimento pode, com um curto período de 80 ou 90 anos, atingir um nível espiritual elevado, digno dos verdadeiros santos? Por que Deus permitiria a um Filho ainda imperfeito assumir localidades perfeitas no mundo dos espíritos? Quão seria ilógica a criação destes locais para não serem ocupados por ninguém, visto que na Terra não se encontra nenhuma alma digna de povoar tais ambientes. A reencarnação é, assim, a maneira pela qual o espírito consegue se desenvolver, tanto intelectual quanto moralmente, possibilitando-o o trabalhar sobre si mesmo, que, por meio de sua vontade, purifica-o.

Somente quando assume, internamente, estruturas avançadas de moral e racionalidade, o espírito se torna digno de ocupar locais superiores no mundo dos espíritos, onde certamente ampliará seu campo de serviço, não atingindo senão mais responsabilidades e mais tarefas, pois conquistou capacidade para isso. Mas não será, unicamente, a reencarnação do espírito no plano físico, (“Água”) que o desenvolverá. É necessário o renascimento do Espírito sobre si mesmo, ou seja, a morte de sua inferioridade e o nascimento de sua superioridade, quase infinitas vezes. É essencial que o espírito adquira valores morais e intelectuais com a reencarnação, para que ela não seja praticamente perdida.

Quando encarnado, o espírito tem a chance da redução de sua memória espiritual e minimização de suas faculdades íntimas, com o intuito superior de aflorarem seus dilemas íntimos. É a encarnação que evidencia os fatores cruciais a serem purificados, pois com o “esquecimento” de sua história e a “inacessibilidade” momentânea de muitas habilidades, o espírito se focaliza em suas deficiências e naquilo que lhe cabe desenvolver naquele corpo.
O corpo renasce, a partir da matéria e entrega, ao espírito, a oportunidade de seu renascimento íntimo.



Fonte:
“O Evangelho Segundo o Espiritismo” Cap. IV-“Ninguém poderá ver o Reino dos Céus se não nascer de novo”
“O livro dos Espíritos” Cap. IV – “Pluralidade das existências”
Cap. VII – “Retorno à vida corporal”
“Jesus Nazareno” – Huberto Rohden – “Renascer de água e espírito” página 73

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