Era uma vez um broto, bem jovenzinho. Ao lado de sua família, em um campo muito calmo e nutritivo, vivia encucado com tudo: “Mas que chuva chata, que me molha!”, “Esse Sol poderia dar uma trégua”, “Eita terra batida, assim fica difícil”...
O tempo foi passando e os brotos, seus vizinhos, aproveitando cada momento de suas vidas, iam crescendo, fortalecendo-se, ganhando peso... Mas o broto reclamão, preocupado com o que lhe acontecia a cada momento, buscando justificativas, não crescia como os outros. Ao perceber a sua diferença corporal, ele não conseguiu encontrar as respostas, muito menos as motivações do fato, que desejava. As coisas pareciam não fazer sentido: “Mas eu tomei a mesma chuva que eles tomaram”, “Estive aqui, na mesma terra, durante o mesmo tempo”, “O Sol brilhou para todos”.
De fato, quando o período de crescimento se findou, o brotinho continuava brotinho, enquanto seus companheiros haviam se tornado brotos, prestes a desabrocharem, robustos que estavam na hora certa. O brotinho ainda não entendia, mesmo com suas reflexões. Insatisfeito e contrariado, foi ter com o senhor das terras, a pessoa que lhe colocou naquele local, junto de todos.
“Meu caro, quero saber o que aconteceu comigo, que não cresci como os demais. Garanto que vivemos juntos as mesmas dificuldades e oportunidades.” Paciente, o senhor lhe respondeu:
“Mas é claro, meu querido brotinho. Para você o tempo não fora como para os outros. Enquanto para uns o dia urgia, para você emperrava; os demais souberam aproveitar a chuva, o Sol, a terra, o que também lhe fora oferecido, mas não com o mesmo proveito. Ora reclamava, ora justificava”.
Por fim, o senhor lhe disse: “Sabe, mesmo pequeno, você ainda pode ser um broto como os demais, caso assim deseje. Colocarei um pouco de adubo em sua terra, o que a deixara mais ácida, e lhe molharei além da chuva, o que lhe dificultará os movimentos. O Sol, porém, será na medida certa, conforme as estações. Confie em mim, e aproveite o dia”.
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