domingo, 4 de abril de 2010

A Religiosidade do Espiritismo (editada)

Por fim, falaremos sobre a Religião do Espiritismo, outra vertente da Doutrina dos Espíritos e que completa o seu triângulo (Ciência, Filosofia e Religião).
O termo religião é derivado do termo latim religio, que segundo Lactâncio (escritor e professor de retórica do Império Romano) deriva do termo religare. Assumindo-se tal origem etimológica, a Religião é o religar-se com Deus, ou seja, o caminho que leva o filho ao seu Pai.

Sabemos, por sua vez, que o Espiritismo é uma reapresentação da Doutrina de Jesus, portanto a sua religiosidade é pautada nos princípios morais do Ensino do Cristo. Kardec trabalha em O Evangelho Segundo o Espiritismo justamente os principais ensinos que Jesus legou para a Humanidade, completando ensinamentos com mensagens de espíritos e principalmente esclarecendo partes alegóricas e de difícil interpretação. Nesta obra está a base da religião espírita e a continuação da religiosidade Cristã.

Todavia, podem nos ficar questões: Como nos religaremos ao Pai? Qual será o caminho para o encontro com Aquele que me Criou? Para esses questionamentos, os Espíritos superiores, em O Livro dos Espíritos retomam Jesus: “Desejai para os outros o que quereríeis para vós mesmos”. Logo em seguida, Kardec muito sabiamente nos diz: “O sublime da religião cristã tem sido de tomar o direito pessoal por base do direito do próximo”. Em síntese, o nosso religar perpassa pelo bem do próximo, como pré-requisito para Deus. E o Espiritismo traz aos seus seguidores totais condições para essa difícil caminhada, uma vez que oferta fundamentação para a formação de caráter humano, mediante o entendimento verdadeiro dos Ensinamentos de Jesus.

Desta forma, a Religião do Espiritismo não deve ser entendida de acordo com o senso comum sobre as religiões. Ela vai além justamente por convidar o ser humano ao seu reajuste consigo mesmo. Trata-se de uma Lei sobre a posição do ser humano em relação ao mundo que o rodeia, ou seja, é a própria natureza do espírito que o impede de avançar, sendo um efeito natural de sua inferioridade. Por isso, a Religião do Espiritismo é o convite à auto-renovação, por meio das máximas de Jesus: “Conheça a Verdade (quem realmente somos) e a Verdade o libertará” e “Amareis o vosso próximo como a vós mesmos”, sem necessidade de convenções e de dogmas.

A questão apresenta-se muito bem trabalhada na Revista Espírita de 1868, quando Kardec discorda do uso do termo Religião quando associada ao Espiritismo, não porque a Doutrina Espírita não apresenta a sua religiosidade, mas sim pelo mal uso pela sociedade daquele termo. Kardec afirma: "no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos ufanamos disso, porque ele é a doutrina que funda os laços de fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as próprias leis da Natureza". Todavia, alerta: "Porque só temos uma palavra para exprimir duas idéias diferentes e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da idéia de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, coisa que o Espiritismo não tem."

Podemos associar, assim, a Religião do Espiritismo à Religiosidade do Espiritismo, com o único objetivo de segregar idéias, que na origem abordam o mesmo campo, mas pelo tempo se divergiram.

Fontes:
Wikipédia (online)
O Livro dos Espíritos (questão 876)
A Gênese (Cap. II- item 19)
O Evangelho Segundo o Espiritismo (Introdução-item I)
Revista Espírita- 1868 "É o espiritismo uma religião?"

Um comentário:

  1. Gu,

    Acho que como conversamos, deverias ler os textos da Revista nos quais o Kardec vai contra a idéia de Religião no Espiritismo. Para mim, esta interpretação tem levado a muitos erros e procedimentos que as pessoas tem tomado, esquecendo-se do real caráter do espiritismo: uma ciência que tem consequencias filosóficas e morais.
    Por isso, não consigo conceber religião do Espiritismo. Isso é contra a proposta Kardequiana que queria, de fato que todas as pessoas, religiosas ou não, ao estudarem as leis dos fenômenos do Espírito transformassem-se, sem necessariamente formarem uma nova religião ou crença, sem mesmo abandonarem suas religiões.
    Se quiseres, envio os textos para reflexão. Vale a pena. Depois que os li e refleti, meu modo de encarar a vida e o Espiritismo mudaram muito. Acho que me libertei de muitos preconceitos e dogmas de fé que pessoas que se dizem espíritas me impuseram.
    Vale a pena ler.
    Abraços,

    Rafael

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