domingo, 19 de abril de 2009

Direito e Dever

No capítulo 16 de “Os Missionários da Luz”, da série de André Luiz e Chico Xavier, o instrutor deste espírito, Alexandre, faz uma reflexão muito interessante, dotada de sabedoria e atualidade.

Ensina-nos Alexandre: “Quase todas as pessoas terrestres, que se valem de nossa cooperação, se sentem no direito de duvidar. É muito raro surgir um companheiro que se sinta com o dever de ajudar”.

Transpondo suas palavras a nossa sociedade atual e generalizando seu pensamento, quantos e quantos de nós reclamam pelos seus direitos: o de se alimentar bem, o de repousar o corpo e a mente, o do lazer, o de cidadania,o direito de cometer erros e de se enganar, entre tantos outros. Sim, sem dúvida nenhuma nós, na qualidade de seres humanos imperfeitos que somos e envoltos por um corpo material, podemos ansiar por nosso próprio bem-estar e pela melhoria de nossa qualidade de vida, mental, corporal e espiritual. Entretanto, assim como Alexandre diz, são raros aqueles que se atentam no posicionamento de seus Deveres morais acima de seus direitos mundanos.

No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em seu capítulo XVII “Sede Perfeitos”, o Espírito Lázaro discorre sobre o Dever moral e o classifica como uma obrigação, e quem o cumpre, demonstra seu Amor perante Deus, acima de tudo, e perante aos irmãos, acima do amor próprio.

A busca primordial e inadiável de nossos direitos, tantas vezes fonte de guerras, inimizades, ódio e raiva, são profundos reflexos de nossa inferioridade moral. O Dever de ser cristão eleva-nos, torna-nos mais capazes para a realização de obras divinas e nos possibilita maior aproveitamento da providencial encarnação presente. O Dever é, em resumo, a bússola de nossa vida, existente em nós mesmos. Os direitos são conseqüências de nossos atos, não finalidade.

Se prestarmos atenção em nosso cotidiano, perceberemos que algo nos incita ao cumprimento de determinadas atividades que sabemos serem benéficas, e que nos alerta sobre nossas práticas não sublimes. É o nosso íntimo se emancipando, essência divina em nós, que, uma vez natural de Deus, conhece todos os caminhos a serem traçados e que nos levam até Deus. É a Razão do ser humano, fonte de luz e sabedoria. Lázaro enfatiza que por sermos ainda susceptíveis às fraquezas humanas e aos vícios animais, ignoramos a nossa intuição, e, com isso, descumprimos com nosso Dever moral. Ambos estão unidos, sendo o Dever a materialização de nossa Razão.

O nosso sofrimento não terá fim se continuarmos exigindo direitos, mas descumprindo Deveres. Muitos exigem, muitos sofrem.

Um comentário:

  1. Escrevi o comentario no texto errado, era para ter sido nesse texto e nao do Franscisco de Assis. Mas aquele e bom tambem.

    Jaci

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